Eduardo Graça

Cultura

Q&A: Jessica Alba, atriz

O UOL publicou hoje minha entrevista com a jovem atriz Jessica Alba, a mais nova convocada para o desfile de estrelas da franquia cômica “Entrando numa fria”, comandada por Ben Stiller, Robert De Niro, Dustin Hoffman e Barbra Streisand. O filme, disparado o mais fraco da “trilogia”, chega aos cinemas brasileiros hoje

Segue o texto:

ENTRETENIMENTO
“Andi é mais louca do que sensual”, diz Jessica Alba sobre seu papel em “Entrando Numa Fria 3″
EDUARDO GRAÇA
Colaboração para o UOL, de Nova York

Quando foi convidada para viver uma representante comercial para lá de avançada em “Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família”, Jessica Alba quase caiu para trás. Não acreditou que a queriam em um papel cômico no filme que chega aos cinemas brasileiros nesta sexta (7). E logo a bela morena de 1m70 fez as contas: iria contracenar com nada menos que seis Oscar e três Emmy! Alba ri à toa lembrando de suas cenas na comédia com Ben Stiller, Robert De Niro e Dustin Hoffman. Em determinado momento, no afã de seduzir o marido certinho vivido por Stiller, ela usa remédios com efeito duvidoso e aparece apenas com roupas íntimas para alegria de seus mais ardorosos fãs. “Mas
não diria que a Andi é sensual”, disfarça. “Ela é biruta mesmo.”

Os dois primeiros filmes foram dirigidos por Jay Roach. Desta vez, por estar ocupado com a pré-produção de “Austin Powers 4″, ele assina apenas a produção, ao lado de DeNiro. O comando ficou com Paul Weitz, indicado ao Oscar pelo roteiro de “Um Grande Garoto”. Foi difícil convencer Hoffman a participar do filme, Streisand aparece em poucas cenas e o resultado foi uma saraivada de críticas negativas, apontando quase sempre para o que seria o esgotamento da série. Algo que o público, ao menos, não parece concordar. O investimento estimado em US$ 100 milhões já foi recuperado em três semanas, com bilheterias de mais de US$ 180 milhões em todo o mundo.

Na entrevista que concedeu ao UOL Cinema, a atriz abriu o coração e falou da infância cigana, acompanhando o pai militar; de como teve de
enfrentar o bullying no colégio; de sua sensação de peixe fora d’água em Hollywood, e do profundo encontro interior que teve ao vivenciar a maternidade. Além disso, jurou de pés juntos que nada tem em comum com a apimentada Andi. Será mesmo?

UOL – Quem vê você encarnando a Andi não consegue imaginá-la uma mulher séria, muito bem casada, mãe exemplar…
Jessica Alba - Adorei isso! (rindo muito)

UOL – Sua filha já está falando?
Jessica Alba - A Honor Marie está com dois anos e meio e fala o tempo todo. Você já está me deixando falar mais do que ela, em casa. Ela passa o dia me perguntando coisas. No fim do ano foi a sessão Papai Noel. “Ele existe mesmo?”. “E a barba, é de verdade?”. “Será que você pode sentar no colo do Papai Noel e dizer a ele o que eu quero ganhar no Natal?”.

UOL – Esta é ótima, lá vamos nós de novo para o terreno na Andi. É fácil imaginá-la infernizando Papai Noel. As cenas em que você está drogada são hilárias...
Jessica Alba - E vamos deixar bem claro: eu, a Jessica, não tenho nada a ver com a Andi. N-a-d-a. Foi uma novidade imensa fazer comédia, para ser sincera, ainda não sei como eles me deram este papel.

UOL – Você conseguiu não cair na gargalhada enquanto fazia aquelas cenas insanas?
Jessica Alba - Sim, você não pode rir. Não pode, especificamente, começar a rir. Tem de fazer com convicção ou não funciona. Mas me diverti muito quando fazia Ben (Stiller) rir. Foi uma vitória.

UOL – Como é que você criou a Andi?
Jessica Alba – Quando li o roteiro pensei: huuum, eu acho que entendo a psicologia desta mulher. E Ben ajudou muito.

UOL – Vocês conversaram sobre ela ser ultra sensual?
Jessica Alba – Mas ela é sensual?

UOL – Como assim? Ela seduz o personagem do Ben! E toda aquela lingerie?
Jessica Alba – Ela é mais louca do que sensual, eu acho. Sabe aquele tipo doidinha? Ela era uma representante comercial de laboratórios farmacêuticos maluquete. Não a definiria como sensual.

UOL – Mas foi você quem inventou o lado super-ativo e aparentemente, digamos assim, excessivamente alegre da Andi?

Jessica Alba – Sim, foi onde a encontrei. Ela não tem nada de malicioso ou manipulador. Ela é inocente, coitada!

UOL – Incomoda a você ser considerada uma mulher sensual?

Jessica Alba - Digamos que é melhor do que ser considerada uma baranga. Acho que todas as atrizes mais jovens recebem este epíteto: “a sensual” Jessica Alba, e por aí vai…

UOL – O que seus amigos de colégio acham disso?
Jessica Alba – Sabe que não tenho amigos de colégio? Ai meu Deus, agora você vai achar que sou muito estranha! (risos). Mas é que meu pai era da Força Aérea e mudávamos o tempo todo de cidade. Foi brutal. Acabei estudando em casa mesmo, até porque minha experiência no colégio não foi das melhores. Eu fui vitima de bullying...

UOL – Eu jurava que você seria aquela menina desejada por todos os rapazes da classe…
Jessica Alba – Não fui não. Eu era diferente, tinha um sotaque pesado do sul, vivi muitos anos no Texas e no Mississippi, prato-cheio para as gozações na Califórnia. Meus pais não eram milionários, como os da maioria dos outros alunos. Não me vestia como as meninas mais ricas e sofri preconceito social. Era uma menina estranha, que passava muito tempo fora, trabalhando. Não era como as outras meninas, era mais fechada, vivia em meu próprio mundo, não ia a festas, não tinha a menor vontade de ser popular e já sabia, desde muito jovem, que queria fazer alguma coisa útil com minha vida. Tinha a certeza absoluta de que estava perdendo o meu tempo no colégio, ao lado dos outros alunos. Não é exatamente uma atitude que estimule o estabelecimento de amizades, né?

UOL – Agora que você tem uma filha, é algo que a deixa preocupada? Todos dizem que o bullying só tem aumentado por aqui…
Jessica Alba – Muito. Mas quero que ela tenha coragem de enfrentar o problema. No meu caso era difícil, porque era sempre agredida por grupos. Lembro que houve uma época em que eu mudava de turma toda semana, sempre escoltada pelo inspetor de disciplina do colégio. Morria de vergonha. Mas também penso que o ódio, a ignorância, vem muito dos pais. Isso tudo só me faz pensar em ser mais aberta e em investir mais na criação dela, em ser uma menina respeitosa.

UOL – Naquela época em que você sofria no colégio já imaginava que iria parar em Hollywood?

Jessica Alba – Eu queria ser uma outra pessoa. Na minha cabeça, eu já interpretava vários papéis para mim mesma. Queria um cenário diferente para mim. E aí aconteceu. Uma loucura, não? O papai sempre dizia: “Jessica, em cinco anos, isso não vai ter a menor importância para você, nem vai lembrar o nome deles”. E eu, claro, dizia: “Jamais vou me esquecer de fulano, ele foi tão mal comigo. E sicrana? Ela me persegue!”. E ele estava certo.

UOL – E agora a mais nova aquisição do universo dos Fornika (Focker, em inglês). Você é fã da franquia?
Jessica Alba – Total. Vi os filmes todos e morri de rir, sempre. E agora as crianças são o mote do filme, o que é especialmente engraçado. A dinâmica da família se modifica, todo mundo dá pitaco, aumentam as responsabilidades, se pensa mais no futuro. Ou seja, um prato cheio para todo mundo rir muito em casa, e, espero, também, com as insanidades de Andi, a minha maluquete.

One Response to Q&A: Jessica Alba, atriz

  1. Debora disse:

    Pode alguem ser mais perfeita? Alem linda ainda e engracada,humilde,inteligente e simpatica. Definitivamente ela e uma inspiracao pra mim.

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