Eduardo Graça

Cultura

Caipirinha Appreciation Society

O GLOBO publicou meu texto, nas páginas de Economia do domingo, sobre a história vitoriosa de meu programa radiofônico de música brasileira favorito na rede: o venerando Caipirinha Appreciation Society.

Segue o texto, com as sábias palavras de Mickey del Cueto e Kika Serra:

O sabor da caipirinha, versão para gringos
Eduardo Graça
Economia

Programa de música brasileira via internet sobrevive graças a contribuições de ouvintes de todo o planeta

NOVA YORK. Um dos programas em inglês dedicados à música brasileira de maior audiência na internet, o Caipirinha Appreciation Society quase desapareceu mês passado, antes de completar a marca de 500 horas de música na rede, selecionadas por Mickey Del Cueto, o MDC Suíngue, e a jornalista Kika Serra. O CAS foi salvo por uma enxurrada de doações de internautas dos quatro cantos do planeta, depois de uma bem-sucedida campanha centrada na doação afetiva, modalidade de patrocínio quase desconhecida no Brasil.

Fiéis ouvintes do programa desde outubro de 2004 responderam com doações — via PayPal — entre um euro e US$ 250. O resultado? O CAS (http://cas.podomatic.com/) não só continua lampeiro como ganhará um site caprichado com mais informações sobre os artistas favoritos, um pedido dos patrocinadores-ouvintes.

Foi justamente o sucesso do CAS que fez com que a Podomatic, a empresahospedeira, anunciasse, em setembro, a necessidade de um pagamento de US$ 2.500 anuais para custear as despesas de armazenamento. De 15 no primeiro programa, o CAS pulou para 300 downloads diários de seu mix de reportagem, crítica e descobertas de artistas do país. Ganhou fãs entusiasmados e foi delicadamente obrigado pela Podomatic a pagar pelo plano mais caro de hospedagem, que inclui 15 gigabytes de armazenamento e 1,5 terabyte de tráfego por mês. Detalhe: Kika e Suíngue fazem o programa sem qualquer fim comercial.

Mas a delicadeza da Podomatic não é eufemismo do repórter.

— Nossa relação com eles é tão boa que, quando começamos a campanha, eles foram dos primeiros a colaborar, com um patrocínio afetivo de US$ 100 — celebra Suíngue.

O bom gosto da dupla é uma das razões do sucesso de um programa que há seis anos ousou apresentar duas horas semanais de música brasileira de qualidade sem incluir os medalhões da MPB e os velhos standards de Bossa Nova.

— Em nosso menu entram os paulistanos Numismatta e Kiko Dinucci, assim como o maranhanese Zé de Riba e os cariocas Vulgue Tostoi e Magali. E ainda há pontos de macumba, jazz experimental, moda de viola, sambas antigos — conta Kika.

A força da marca e a vontade de revelar facetas nada óbvias da musicalidade brasileira no exterior levaram a dupla a fazer uma reportagem em Valença, no interior do Rio, onde a tradição das Folias de Reis, com sua rica música percussiva, gerou um dos programas favoritos dos fãs do CAS.

— Com este know-how, muita gente disse que poderíamos ter batalhado um patrocínio convencional, mas o que queríamos evitar era diminuir nosso poder de controle do conteúdo. Não queríamos virar o Caiprinha-Oi, o Levi’s Appreciation, o Petrobras Society — diz Suíngue.

Daí a decisão de investir em um método de campanha mais próximo do mundo digital — o CAS não existiria sem a internet, afinal.

Como o programa, hoje produzido no apartamento da dupla no Leme, nasceu na Inglaterra e é apresentado em inglês, a coleção de patrocínios sentimentais para a manutenção do CAS é composta por personagens como a australiana Susan Louise Smith, que também atende pela alcunha de Samba Susan, e doou US$ 200, um entusiasmado fã de Cingapura, que desembolsou outros US$ 50, o texano Luke Dunlap, que dá aulas de fundraising e é um dos diretores da Escola de Informação e Tecnologia da Universidade do Texas, e deu nota dez para a campanha, os componentes de uma escola de samba de Manhattan, e até um português, que liberou um singelo euro, o patrocínio menos polpudo conseguido pelo CAS.

— Não importa. Todos receberam um agradecimento formal no ar e tiveram suas fotos apresentadas em um mural no site do programa. O que vale é a certeza de que com um patrocínio individua

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