Eduardo Graça

Política e Economia

Amorim em NY: O caso dos americanos presos no Irã

Americana libertada pelo Irã agradece ajuda do Brasil
Eduardo Graça

A americana Sarah Shourd foi recebida na tarde desta terça-feira pelo chanceler brasileiro, Celso Amorim, na Missão do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU). A alpinista, 32 anos, agradeceu pela ajuda do Itamaraty no convencimento do governo do Irã para que ela fosse libertada. “Agora estou bem e o governo brasileiro foi importante para que estivesse aqui hoje com vocês”, disse a americana, que ficou presa 14 meses acusada de ser uma espiã do governo dos Estados Unidos no Irã.

Bem-humorado, o ministro das Relações Exteriores disse que, na segunda-feira, ao se encontrar com a secretária de Estado norte-americano, Hillary Clinton, perguntou se ela estava contente com a libertação de Shourd, que ocorreu na semana passada depois das ingerências de Brasília e Ancara. “Para não dizer que o governo americano não disse nada, perguntei a ela o que havia achado da libertação e ela respondeu, claro, muito obrigado!”, disse Amorim.

“É importante frisar que este é um assunto de direitos humanos e por isso nos interessa. Não queremos de forma alguma interferir em assuntos de soberania do Irã, mas exercemos a função de um governo amigo, disposto a auxiliar questões humanitárias. Não pressionamos Teerã, até porque não temos nada para oferecer em troca. Pedimos apenas que eles ponderassem sobre a possibilidade. Foi um apelo de um país amigo. O importante é que Sarah está feliz, mas disse que se sente apenas um terço em liberdade”, disse o ministro, se referindo ao noivo, Josh Fattal, e ao amigo Shane Bauer, os dois de 28 anos, que seguem encarcerados no Irã. Os jovens também estavam escalando na região curda do Iraque quando aparentemente entraram, inadvertidamente, em território iraniano.

As prisões aconteceram durante o momento em que Washington pressionava por sanções econômicas contra Teerã por conta do programa de enriquecimento de urânio do país. Enquanto o governo Ahmadinejad alega que o programa tem fins pacíficos, EUA, Europa e Israel temem que o país islâmico produza armamentos nucleares prejudicando o já delicado equilíbrio político-militar da região.

Sarah Shourd compareceu à Missão Brasileira acompanhada pela mãe, Nora, além do irmão e da mãe de seu noivo. “Continuo na luta pela libertação de Josh e Shane e conto com a ajuda do governo brasileiro”, disse. O chanceler Amorim tem um encontro marcado com seu colega iraniano depois da abertura da 65ª Assembléia-Geral da ONU, que acontece nesta quinta-feira. No ano passado Amorim entregou cartas das mães dos três detidos a Ahmadinejad e ao chanceler iraniano. Em maio, o presidente Lula, em sua visita oficial ao Irã, também conversou com o presidente iraniano sobre o tema. O Itamaraty divulgou nota em que “manifesta a satisfação do governo brasileiro pela consideração do presidente Mahmoud Ahmadinejad às ponderações feitas pelo presidente Lula sobre o tema”, diz a nota.

Bric
Hoje o ministro se reuniu pela manhã com os países que fazem parte do Bric – Brasil, Rússia, Índia e China – onde ficou decidida que a próxima reunião dos chanceleres das quatro nações será na China, no meio do ano que vem. O ministro brincou dizendo ter pedido apenas que a reunião não fosse em janeiro, já que é quando o novo governo toma posse em Brasília. “Estou muito confiante em relação aos resultados das eleições de 3 de outubro”, disse. Quando perguntado se seguiria à frente no ministério no caso da vitória de Dilma Rousseff disse, com boa dose de ironia, que “quem sabe não estarei à frente de algum think tank de negócios internacionais” nos próximos anos.

Amorim fica em NY até o dia 28, quando volta para Brasília, com escala no Haiti.

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